Segunda-Feira, 27 de Agosto de 2018 - Hora:09:41

Campeão do mundo na montaria em touros anuncia aposentadoria após conquistar fama e dinheiro nos EUA

Guilherme Marchi chegou a ser apontado como mau exemplo, virou o jogo e conquistou prestígio internacional. Recordista de paradas em touros, ele faz última prova no Brasil em Barretos, SP.

 

O competidor profissional desde os 16 anos, Guilherme Marchi é um dos melhores peões brasileiros. Em 2008, conquistou os EUA ao vencer o campeonato mundial de montaria em touros pela Professional Bulls Riders (PBR) e se tornou ídolo do rodeio. Após passar 15 anos na elite da modalidade e vencer o preconceito, Marchi está prestes a se aposentar.

 

“A minha carreira foi muito brilhante e agradeço a todos que me deram apoio e acreditaram no meu potencial”, diz.

 

Natural de Itupeva (SP), Marchi nasceu em uma família humilde e morava no sítio. Com o sonho de ser peão de rodeio, deixou os estudos para se dedicar aos treinamentos. Mas a decisão o levou a enfrentar o maior desafio de sua vida, o preconceito. Conhecido em sua cidade natal como ‘ignorante’, Guilherme foi motivo de chacota quando os meninos da mesma idade não queriam estudar.

 

“No início, eu fui muito julgado por essa minha decisão de montar, porque antigamente os peões eram vistos com outros olhos. Sofri muito preconceito das pessoas da cidade e minha mãe me julgou muito quando eu decidi me dedicar só às montarias”, diz Marchi.

 

Os momentos difíceis foram superados, mas ele se emocionou ao falar ao G1 sobre o passado. “Hoje eu penso que esse preconceito que sofri é normal, porque toda família quer ver o bem de seu filho. Mas, mantive o foco e acreditei nos meus sonhos. Eu levei o nome de Itupeva para o mundo e fico feliz de sair do interior de São Paulo e ir brilhar em Las Vegas”, afirma.

 

Foco

 O menino do interior mudou-se aos 12 anos com os pais para o litoral de São Paulo. Donos de uma pousada e um restaurante em Bertioga, Marchi viu a rotina se transformar e demorou para se adaptar ao novo estilo de vida, fora do sítio e longe dos cavalos e bois.

 

Sentiu a necessidade de voltar a montar. De malas para Jacareí (SP), o peão estudou no colégio agrícola e foi ali que iniciou a carreira nas montarias em touros. Apadrinhado pelo tricampeão mundial da PBR, o peão Adriano Moraes, Marchi começou a decolar na carreira em 2001.

 

“Na época, eu ganhei oito carros, dez motos, fui campeão nacional pela Confederação Nacional do Rodeio, em 2002. Estava na final dos melhores rodeios do Brasil, como Jaguariúna, Barretos, Americana, Divinópolis, disputando de igual para igual com todos os competidores”, lembra o peão.

 

Passando por uma boa fase na carreira, sentiu que era hora de alçar voos mais altos. O sucesso no Brasil acendeu no cowboy o sonho americano. “Eu estava montando muito bem e resolvi ir para os Estados Unidos. Lá estão os prêmios mais bem pagos do mundo e todo peão tem o sonho de melhorar o padrão de vida, de levar um bom dinheirinho para casa”, diz.

 

Foi na América que Guilherme se consagrou uma lenda. Foi quatro vezes vice-campeão mundial e campeão em Las Vegas, um dos mais importantes na carreira de um competidor. Mas, foi em 2008 que o grande sonho do peão se realizou. “Foi nesse ano que eu consegui ser campeão mundial. É um título muito disputado, o sonho de qualquer competidor, seja qual for a nacionalidade”, diz.

 

Aposentadoria

 Marchi ostenta recordes. Foi o primeiro competidor a parar em 500 touros e o primeiro e único a vencer 600 animais. Hoje, aos 36 anos, considera que é hora de parar. Após as férias de verão dos EUA, em julho, anunciou a aposentadoria. A Festa do Peão de Barretos 2018 foi palco da última montaria do peão no Brasil.

 

“Tudo o que eu conquistei foi graças ao rodeio, mas já é hora de me despedir dos meus fãs. Após a final do mundial de 2018 [em novembro], não me apresentarei mais nas arenas mundiais”, declara categoricamente.

 

Para ele, o rendimento não é mais o mesmo. “Estar entre os melhores é muito desgastante e usa muito o físico e o psicológico da gente. O tempo de recuperação é maior, tenho que me esforçar mais nos treinamentos, tudo é em dobro.”

 

A família também pesou na decisão de se aposentar. “Eu tenho um bebezinho de oito meses, o Guilherminho, então eu quero aproveitar mais a minha família”, diz o peão, que é casado e tem três filhos.

 

Para o peão, esse é o melhor momento de se despedir das arenas de rodeio. “Todo atleta pensa em terminar num nível bom e acho que esse é o meu tempo. Estou montando bem, preparado, já fui campeão neste ano em alguns eventos lá nos Estados Unidos. Tudo o que eu sonhei, consegui realizar e espero servir de espelho para os jovens peões”, diz.

 

O futuro

 O campeão mundial não pretende ficar parado após se afastar das arenas. Marchi tem projetos para dentro e fora do rodeio. Um deles é montar um centro de treinamento para jovens competidores no Brasil e nos EUA.

 

“Quem está entrando no mundo dos rodeios sonha em ter uma carreira profissional e eu quero incentivar esses novos sonhadores. Nos EUA já tem um local adequado para isso, só falta por em prática. Aqui [no Brasil], quero construir a arena, piscina, academia e os alojamentos”, revela.

 

Paralelamente, busca ser um ‘business man’. Para isso, o peão investe tudo o que ganha nas competições em projetos como uma grife de roupas e acessórios. “Ser um homem de negócios é o meu projeto principal e isso já está acontecendo. Invisto em coisas que dão retorno e a minha marca é uma delas”, explica.

 

O legado

 Pai de três filhos, Marchi espera que os filhos sigam carreira fora do universo dos rodeios, mas diz que pretende incentivá-los caso decidam seguir seus passos. “Espero que meus filhos tomem outro rumo e que se formem, sejam doutores. Mas, independente do caminho que tomarem na vida, estarei sempre com eles e vou apoiá-los se quiserem ser competidores. Espero que sejam melhores do que eu”, diz.

 

Atualmente, a família vive nos EUA. Para Marchi, o país oferece melhores condições para o esporte. “Lá é tudo mais fácil, tem mais incentivos e a escola valoriza as montarias. Aqui no Brasil a gente não tem motivação, é um esporte ainda muito precário”, avalia.

 

Guilherme Marchi se aposenta sem ser campeão em Barretos. O peão conta que o sonho adormeceu, mas que trabalha para que outros jovens que almejam o título tão disputado no rodeio tenham a oportunidade de vencê-lo.

 

“Agora que me aposento, quero trabalhar para ajudar a realizar o sonho desses jovens atletas. A minha carreira foi muito brilhante e agradeço a todos que me deram apoio e acreditaram no meu potencial. É difícil parar, mas tudo tem um começo, meio e um fim.”

 
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