Quinta-Feira, 09 de Maio de 2019 - Hora:19:26

Influência é gigante e Facebook precisa ser dividido, diz cofundador

Chris Hughes foi um dos caras que participaram da fundação do Facebook, quando a rede era apenas um projeto feito no alojamento de estudantes de Harvard. Ele não se mete nas operações da empresa há um tempo, mas em um artigo publicado no New York Times, o cofundador ajuda a engrossar o calibre de críticas contra a maior rede social do mundo.

 

Para ele, a rede social se tornou muito grande e devem ser tomadas duas ações para reduzir os danos causados pelo Facebook: dividir o tamanho da companhia e criar algum tipo de regulação para o setor. Após a repercussão do artigo, o Facebook emitiu um comunicado discordando da posição do cofundador (você poderá ler na íntegra no fim deste texto).

 

“Já se passaram 15 anos desde que ajudei a fundar o Facebook em Harvard, e não trabalho na companhia há uma década. No entanto, sinto uma sensação de raiva e responsabilidade”, diz Hughes no artigo.

 

Hughes começa dizendo que a história do Facebook emula o sonho americano. Um grupo de pessoas inicia uma empresa, se dá bem e este empreendimento gera outras oportunidades. O problema é que a ânsia de crescer fez com que a companhia se tornasse praticamente um monopólio.

 

Este domínio é responsável pela mediação da comunicação entre bilhões de pessoas e que é gerido por alguém que não tem chefe — apesar de haver um conselho, quem bate o martelo no fim do dia é Mark Zuckerberg. Diz Hughes no artigo:

 

A influência de Mark é desconcertante, maior que de qualquer pessoa que está no setor privado ou no governo. Ele controla três grandes plataformas de comunicação — Facebook, Instagram e WhatsApp — que bilhões de pessoas usam todos os dias. O conselho de diretores do Facebook funciona mais como um comitê consultivo do que um fiscal de ações, porque Mark controla cerca de 60% das ações com direito a voto. Mark sozinho pode configurar os algoritmos do Facebook para determinar o que as pessoas veem em seus feeds de notícia, quais configurações de privacidade elas podem usar e até quais mensagens são entregues. Ele pode determinar regras de como distinguir discursos violentos e incendiários de discursos meramente ofensivos, e ele pode escolher acabar com um competidor ao comprá-lo, bloqueá-lo ou copiando-o.

 

Para ele, um dos grandes problemas da FTC (Comissão Federal de Comércio), órgão que regula práticas anti-monopólio nos EUA, é que eles não impediram ou colocaram restrições nas compras do Instagram e do WhatsApp, as únicas redes sociais que, apesar de não terem lucro à época, ofereciam perigo ao domínio do Facebook.

 

Como resultado, a companhia se estabeleceu como uma gigante das redes sociais e que acaba inibindo a criação de competidores. Quem se atreveria a investir numa iniciativa contra o Facebook, sendo que em um curto espaço de tempo a empresa poderia copiar o recurso ou dificultar a evolução de uma potencial nova rede social?

 

Sobre as ações sugeridas para consertar o estrago feito pelo Facebook, Hughes acha que o primeiro passo é dividir a empresa, desfazendo as aquisições do Instagram e do WhatsApp. Dessa forma, haveria um mínimo de competição e menos concentração de poder — os anunciantes, inclusive, poderiam gastar seu dinheiro em empresas diferentes.

 

Para exemplificar que isso pode ser benéfico, o cofundador do Facebook cita a AT&T que, após a perda de monopólio, ajudou a incentivar evolução da computação e da telefonia. Sem contar que a companhia continua lucrativa.

 

A segunda medida envolveria criar agências governamentais para regular empresas de tecnologia. Diferente de diversas áreas, o setor ainda não tem um órgão que dita regras mínimas de competição. Existe isso no setor farmacêutico e, como bem vimos recentemente, no setor de aviação, que investiga se problemas de software causaram acidentes com aviões da Boeing.

 

Este artigo de Hughes chega em um momento que o Facebook está sob grande escrutínio por uma série de razões. A FTC planeja uma multa na ordem de US$ 5 bilhões contra a rede social — o que, convenhamos, não deve causar muito dano.

 

Fora isso, os EUA já estão se mobilizando para as eleições presidenciais do próximo ano, e uma das pré-candidatas já levantou a bola de dividir empresas de tecnologia com comportamento monopolista.

 

De alguma forma, até Mark Zuckerberg reconhece que é necessário algum tipo de regulação no ramo de tecnologia, mas essa história de dividir a plataforma nunca foi mencionada publicamente por ele.

 

Vale lembrar que, nos últimos anos, já tivemos um ex-funcionário do Facebook pedindo para as pessoas usarem menos redes sociais e o cofundador do WhatsApp sugerindo que era hora de as pessoas apagarem suas contas na plataforma.

 

Talvez ações mais drásticas contra o Facebook ainda levem um tempo para serem tomadas (é provável que fique para o próximo presidente dos Estados Unidos), mas a opinião de um cofundador da rede social sobre o domínio da empresa só ajuda a engrossar as críticas contra Mark Zuckerberg e seu domínio.

 

Após a repercussão do texto do cofundador do Facebook, a rede enviou um comunicado assinado por Nick Clegg, vice-presidente de global affairs e comunicações do Facebook, discordando da posição de Hughes e dizendo que a companhia tem trabalhado com lideranças mundiais para uma melhor regulação na internet. Diz o comunicado na íntegra:

 

O Facebook entende que com o sucesso vem responsabilidade. Mas você não impõe essa responsabilidade exigindo a cisão de uma empresa americana bem-sucedida. A responsabilidade das empresas de tecnologia só pode ser alcançada por meio da introdução diligente de novas regulações para a internet. Isso é exatamente o que Mark Zuckerberg tem pedido. Aliás, ele está se reunindo com líderes do governo nesta semana para dar continuidade a esse trabalho.

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