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Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017 - Hora:09:20

No Dia Mundial de Combate ao Diabetes, médico da Unicamp alerta: 'Metade dos diabéticos não sabe que tem a doença'

Sociedade Brasileira de Diabetes estima que 14,3 milhões de brasileiros tenham a doença. Em Campinas, são 100 mil pessoas.

 

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estima que 14,3 milhões de brasileiros tenham diabetes mas, de acordo com o endocrinologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas (FMC) da Unicamp, Marcos Tambascia, "metade não sabe que tem a doença". Em Campinas (SP), a Secretaria de Saúde estima que a cidade tenha 100 mil diabéticos. "Temos praticamente uma epidemia", alerta.

 

Tambascia destaca neste Dia Mundial de Combate ao Diabetes, celebrado nesta terça-feira (14), a importância de alertar a população sobre os riscos da doença.

 

Em Campinas, a Secretaria de Saúde destaca que em todas as unidades de saúde do município é possível fazer o acompanhamento e tratamento da doença. De acordo com o professor da Unicamp, testes e exames simples fazem o diagnóstico do diabetes.

 

"É só furar a ponta do dedo, pegar uma gotinha do sangue e ver a taxa de glicemia no sangue. Em caso de positivo, fazemos uma repetição em laboratório para confirmar", explica Tambascia.

 

O endocrinologista destaca que a falta de diagnóstico e o desconhecimento de medidas simples para controle da doença têm causado problemas alarmantes.

 

Tipos de diabetes

 De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, são três os tipos mais comuns de diabetes:

 

  • Diabetes tipo 1
    Em algumas pessoas, o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta. Logo, pouca ou nenhuma insulina é liberada para o corpo. Como resultado, a glicose fica no sangue, em vez de ser usada como energia. Esse é o processo que caracteriza o Tipo 1, que concentra entre 5 e 10% do total de pessoas com a doença. O Tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Essa variedade é sempre tratada com insulina, medicamentos, planejamento alimentar e atividades físicas, para ajudar a controlar o nível de glicose no sangue.

 

  • Diabetes tipo 2
    O Tipo 2 aparece quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz; ou não produz insulina suficiente para controla a taxa de glicemia. Cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o Tipo 2. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar. Dependendo da gravidade, ele pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.

 

  • Diabetes Gestacional
    O diabetes gestacional é um problema que surge durante a gravidez. A mulher fica com uma quantidade maior que o normal de açúcar no sangue e o corpo não consegue fabricar a insulina em quantidade suficiente. É uma condição que quase sempre se normaliza sozinha depois que o bebê nasce.

 

Vida saudável

 De acordo com Marcos Tambascia, manter hábitos saudáveis é a melhor maneira de prevenir e também, na maioria dos casos, tratar a doença.

 

"O tipo 2, que atinge grande parte da população, está mais relacionado com hábitos de vida, entre eles o envelhecimento, que não podemos fazer nada para evitar, mas principalmente o excesso de peso e sedentarismo. Com isso, manter uma prática regular de exercícios e manter o peso são essenciais para evitar o diabetes."

 

Pesquisas

 Coordenador do Laboratório de Investigação em Diabetes e Metabolismo (Limed), da Unicamp, o professor Bruno Geloneze destaca que o aumento da obesidade nas populações mais jovens tem provocado mais casos de diabetes no Brasil. "O aumento da obesidade precoce está fazendo com que o diagnóstico da doença, que antes ocorria entre os 40 e 50 anos, apareça antes mesmo dos 30", conta.

 

Professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Geloneze explica que o Limed realiza diversos estudos para identificar causas do diabetes. Segundo o profissional, há uma peculiaridade que chama a atenção na população jovem brasileira.

 

"Nós temos observado que no Brasil, diferentemente de outros países, e apesar de registrar muita obesidade na infância e na adolescência, nós temos muito menos casos de diabetes tipo 2 em jovens do que nos Estados Unidos, por exemplo. É um detalhe da nossa genética que nos protege um pouquinho. Mas isso não quer dizer que essas pessoas não tenham o risco de desenvolver a doença", explica.

 

Para Geloneze, desvendar as causas do diabetes pode favorecer novos tratamentos. "A tendência é de uma medicina de precisão. Não tratar mais um grupo de um jeito, e um grupo de outro. O futuro vai ser tratar subgrupos, cada qual com suas características, com o remédio certo para cada um."

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