Segunda-Feira, 31 de Outubro de 2016 - Hora:10:52

São nossas mães, nossas companheiras e nossas filhas

Por Miguel Haddad, Deputado Federal

No Brasil a mulher somente conquistou o direito ao voto em 1937. Antes, nas constituições de 1824 e 1891, sequer era considerada cidadã. Milênios de machismo arraigado faziam as pessoas considerarem natural a situação de inferioridade da mulher na sociedade. 


No início do século 20, o então incipiente movimento pelos direitos das mulheres sequer era levado a sério, e as suas pioneiras eram ridicularizadas. Foi preciso que a feminista inglesa Emily Davison se imolasse, deixando-se atropelar por cavalos na tradicional corrida de Epson, em 1913, para que a sociedade do seu tempo começasse a se dar conta da seriedade e importância das reivindicações femininas.
Muita coisa mudou, desde então. Mas estamos longe, muito longe de termos superado de fato o preconceito contra as mulheres. Setores mais conservadores e atrasados da sociedade persistem na sua imobilidade, alheios às terríveis consequências dessa atitude retrógrada.


Na América Latina o chamado femicídio – no Brasil segundo o Mapa da Violência foram quase 5 mil em 2015 – é uma ameaça cotidiana e, assim como outras formas de violência contra as mulheres, é praticado muitas vezes no âmbito doméstico, por pessoas com relação de parentesco com a vítima, sintoma claro dessa persistência.
Para protestar contra essa barbárie inaceitável, na semana passada, após uma jovem de 16 anos ter sido estuprada e morta em Buenos Aires, milhares de pessoas, homens e mulheres foram às ruas em uma dezena de países da América do Sul e da América Central. 


Não menos danosa é a manifestação de machismo oculto, cotidiano, cujas consequências são o silêncio em torno da violência doméstica, a desigualdade salarial, a baixa representação feminina na política, entre tantas outras.
Todos nós, homens e mulheres, temos de estar atentos e deixar claro que a luta pelos direitos das mulheres é uma luta de todos. Sem o entendimento claro dos malefícios desse preconceito, assim como de tantos outros, como o preconceito racial, que faz o nosso País ainda mais desigual e injusto com os brasileiros negros, não conseguiremos avançar e nos tornarmos a nação que todos desejamos, próspera, democrática e confiante em seu futuro. 


Estamos lutando para mudar o Brasil e nos livrar da crise econômica. Mas a agenda da mudança tem de ser mais ampla, e incluir todos os setores da vida nacional.

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